O artigo "The behavior of the Argentine shortfin squid (Illex argentinus) exposed to bottom trawl gear off southern Brazil" publicado em novembro de 2018 na Latin American Journal of Aquatic Research, apresentou os  padrões de comportamento do calamar-argentino (Cephalopoda: Ommastrephidae) exposto à ação de uma rede de arrasto de fundo operando a 360 – 370 m de profundidade na costa do Rio Grande do Sul. Os resultados foram obtidos a partir dos vídeos de alta resolução produzidos por uma câmera de rede (Trawl Camera) acoplada à uma das redes de um arrasteiro-duplo comercial, com o objetivo de registrar padrões de interação e vulnerabilidade dos recursos pesqueiros demersais aos aparelhos de pesca. Os vídeos analisados registraram 832 encontros com indivíduos nadando à frente das tralhas da rede, normalmente posicionados ao centro e esquerda do campo de visão, evitando setores mais iluminados. A maioria dos calamares sustentou a natação por 10-20 segundos diante das câmeras, a velocidades aproximadas de 1,24 ms-1, deslocando-se passivamente para o interior da rede ou demonstrando reações de escape pelas laterais e por cima da boca da rede. Nesse processo, indivíduos exibiram a pele escurecida, demonstrando condição de estresse. Mas também foram frequentes a observação de áreas descoloridas na extremidade do manto, normalmente associadas a exibição dos órgãos sexuais no período reprodutivo. O estudo é preliminar, mas representa o primeiro registro em imagens dessa espécie na costa sul-brasileira, em pleno processo de migração reprodutiva e submetida a interação com uma rede de arrasto de fundo em operação comercial. Câmeras de vídeo têm se tornado instrumentos importantes par estudos voltados à tecnologia pesqueira, manejo e conservação dos recursos pesqueiros. Seu uso no Brasil ainda é incipiente, mas, como demonstrado por este estudo apoiado pelo INCT-Mar COI e desenvolvido por pesquisadores da UNIVALI, pode produzir conhecimento inovador e estimular o desenvolvimento de uma importante linha de investigação aplicado ao uso de recursos marinhos.

O artigo completo pode ser obtido de:https://doi.org/10.3856/vol46-issue5-fulltext-6